SANTOS E SANTAS DA ORDEM


SANTO ANTONIO MARIA PUCCI    SETE SANTOS FUNDADORES DA NOSSA ORDEM        SÃO. PEREGRINO LAZIOSI    SANTA JULIANA FALCONIERI    SANTA CLÉLIA BARBIERI    SÃO FELIPE BENIZI


Santo Antônio  Maria Pucci

12 de janeiro

  

Antonio Maria Pucci nasceu em Poggiole, pequeno povoado da diocese de Pistóia, em 1819. Aos 18 anos de idade, ingressou na Ordem dos Servos de Maria. Concluídos os estudos de filosofia e teologia, emitiu os votos religiosos e foi ordenado presbítero.

Foi pároco de Viareggio por 45 anos, até a morte. Como prior conventual e provincial, mais do que um superior, foi um irmão a serviço dos irmãos. Totalmente voltado apara Deus e para a Virgem Maria, doou-se com alegria e disponibilidade a todos, principalmente aos mais pobres. Morreu aos 12 de janeiro de 1892. Foi proclamado santo por João XIII dia 9 de dezembro de 1962.

 

Totalmente voltado para Deus e para o seu rebanho

Antônio Maria Pucci nasceu em Poggiole, na diocese de Pistoia, Italia, em 1819, filho de pais exemplares. Era o segundo de nove filhos. Desde jovem, foi sempre aplicado nos estudos e assíduo na oração. Aos 18 anos de idade, animado por urna filial devoção à Mãe de Deus, ingressou na Ordem dos Servos de Maria.

Fez o noviciado em Florença. Depois, em Monte Senario, estudou filosofia e teologia e emitiu a profissão solene dos votos. Em 1844, um ano depois de ordenado presbítero, foi enviado para Viareggio corno vigário paroquial; em 1847, foi nomeado pároco e, por 45 anos, até a morte, exerceu esse cargo com grande zelo, dando a todos exemplo de vida integra e incansável, totalmente volta da para Deus e para o rebanho que lhe fora confiado. Mesmo sendo pároco, continuou seus estudos e, em 1850, obteve o titulo de mestre em sagrada teologia.

Por muitos anos foi prior no seu convento e prior provincial da Toscana, numa época hostil aos religiosos, quando vigoravam leis contrarias às Ordens e aos Institutos de vida comum. No exercício desses cargos, tendo sempre diante de si as palavras de Santo Agostinho, preferia ser amado pelos irmãos a ser temido, considerando-se feliz, não por exercer a autoridade, mas por servir na caridade.

Foram suas virtudes características a humildade de espírito, a discrição no falar, o contato habitual com Deus e o amor à pobreza. Não media esforços para levar todos a Cristo. Conhecia suas ovelhas urna por urna e as assistia com paternal solicitude, oferecendo-lhes a palavra de Deus e fortalecendo-as com seus conselhos e ensinamentos Sua caridade com os necessitados não tinha limites, chegando às vezes a desfazer-se de suas vestes para acudidos. Com razão, pois, é tido corno pai dos pobres.

Reservava boa parte do dia para atender os que buscavam o sacramento da penitencia. Considerava ser seu principal dever reconduzir os pecadores a Deus, consolar os aflitos, perdoar os que o ofendiam, desfazer o ódio e as intrigas, reconstruir a paz nas famílias, atender assiduamente e com paternal amor os doentes e os moribundos. Seu amor ao próximo alcançou a mais alta expressão quando, durante a epidemia do cólera de 1848-1856, de dia e de noite, ele socorria os doentes, sem preocupar-se em repousar e sem importar-se com o perigo do contagio.

Deus o agraciou com muitos dons, em particular com o discernimento dos espíritos e o poder de curar. Foi às vezes visto elevado do chão, em êxtase.

Fundou em sua paróquia e dirigiu com particular solicitude urna Congregação de irmãs Servas de Maria, dedicada à educação das jovens. Antecipando os tempos, no intuito de levar os paroquianos a aprofundar a fé, criou associações para crianças e jovens, para homens e mulheres.

Introduziu na paróquia a Conferencia de São Vicente, ha pouco iniciada na França, e a Obra de Propagação da Fé.

Fundou a primeira colônia de férias, à beira mar, para a recuperação física das crianças. Em toda essa sua atividade inovadora, era sustentado e anima do por um grande amor à eucaristia e a Nossa Senhora das Dores, à qual havia solenemente consagrado a paróquia.

Um dia, em pie no inverno, despojou-se de sua capa e, com ela, cobriu um pobre que encontrou pelo caminho.

Em conseqüência disso, contraiu pulmonite e, pouco tempo depois, a 12 de janeiro de 1892, apos receber os sacramentos, morreu santamente. Todo o povo de Viareggio, até mesmo os inimigos da Igreja, choraram a perda do pai comum.

Ao encerrar-se a primeira sessão do Concilio Vaticano II, no dia 9 de dezembro de 1962, o papa João XXIII inscreveu-o no catalogo dês santos. Seu corpo repousa na basílica de Santo André, em Viareggio.

Oração

Ó Deus tornastes admirável Santo Antonio Maria Pucci como servo da Mãe do vosso Filho e pastor do vosso rebanho: fazei que nos também, inspirando-nos na Virgem Maria, dediquemos nossas vidas propagação  do reino de Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 


Sete Santos Fundadores

17 de fevereiro

Fevereiro 17 

Viviam na cidade de Florença sete homens dignos de muita veneração e honra, unidos entre si por laços de fraterna amizade e animados pelos mesmos ideais. A Virgem Maria, Senhora nossa, serviu-se deles para dar início a Ordem religiosa dos seus Servos.

Nenhum outro encontrei vivo quando ingressei na Ordem, a não ser frei Aleixo. Aprouve a Nossa Senhora mantê-lo vivo até nossos dias, para que ouvíssemos de sua boca a história da origem da nossa Ordem. Como eu mesmo pude constatar, ele arrastava os outros com o exemplo e testemunhava a perfeição e a religiosidade sua e dos seus companheiros.

Antes de se unirem efetivamente para dar início a Ordem, encontravam-se em quatro estados de vida.

Seu primeiro estado referia-se à Igreja. Alguns deles, decididos a viver a virgindade ou a castidade perfeita, não haviam contraído matrimônio; outros, pelo contrário, eram casados; e outros, enfim, com a morte da esposa, estavam livres do vínculo matrimonial. Todos, porém, haviam consagrado sua vida ao serviço da Igreja, esposa de Cristo.

O segundo estado em que se encontravam referia-se ao bem-estar social. Os sete ocupavam-se em permutar e negociar coisas terrenas, segundo as regras da arte mercantil. Quando, porém, descobriram a pérola preciosa, venderam tudo o que possuíam e distribuíram aos pobres e comprometeram-se a servir fielmente a Deus e a Nossa Senhora.

Seu terceiro estado de vida referia-se à reverência e veneração que devotavam a Nossa Senhora. Havia em Florença urna associação dedicada à Virgem Maria, instituída há muitos anos. Existindo na cidade muitas outras associações marianas, esta, por sua antiguidade e pelo grande número de homens e mulheres que a compunham, recebera o nome especial e próprio de "Associação-Mor de Santa Maria". Era dessa associação que faziam parte esses sete homens, iniciadores da nossa Ordem, antes de sua união efetiva.

Seu quarto estado de vida referia-se a perfeição de suas almas. Amavam a Deus sobre todas as coisas e a ele orientavam tu do o que faziam, honrando-o com seus pensamentos, palavras e obras.

Quando decidiram reunir-se para levar vida em comum, inspirados por Deus e movidos pelo chamado de Maria, acertaram a situação de suas casas e famílias, deixando-lhes o necessário para viver. O resto, distribuíram aos pobres. Por fim, procuraram homens prudentes, de vida reta e de bons costumes, com os quais pudessem encontrar-se amiúde, buscando apoio para seus propósitos, segundo a vontade de Deus.

Em seguida, subindo ao Monte Senário e havendo construído no local uma casinha para sua morada, aí se estabeleceram. Passado algum tempo, deram-se conta que Nossa Senhora não os havia reunido apenas para se ocuparem de sua santificação, mas também para que outros, desejosos de cumprir semelhantes obras de bem, pudessem juntar-se ao seu grupo e fazer crescer a Ordem, que Nossa Senhora havia iniciado por seu intermédio.

Por isso, dispuseram-se a aceitar os irmãos que consideravam tementes a Deus. E, a partir de então, admitiram alguns ao seu convívio, dando assim início a nossa Ordem, fundada por Nossa Senhora, consolidada pela humildade dos nossos irmãos, edificada sobre sua concórdia e conservada pela pobreza.

 

Oração

 

Ó Deus misericordioso, por vossa inefável Providencia, a gloriosa Virgem Maria, per meio dos nossos Sete Santos Pais, instituiu a família dos seus Servos; concedei, vos pedimos, que servindo intensamente a mesma Virgem Mãe, possamos servir-vos melhor em nossos irmãos. Por nosso Senhor...

 


São Peregrino Laziosi

4 de maio 

Peregrino nasceu em Forli, Itália, por volta de 1265. Quando jovem, participou fanaticamente das lutas partidárias da sua cidade. Aos 30 anos, ingressou na Ordem dos Servos de Maria, no convento de Sena.

Voltando mais tarde para Forli, distinguiu-se pela devoção á Virgem, pelo amor ao próximo e pelo espírito de penitencia. Foi milagrosamente curado de uma chaga na perna.

Morreu em 1345 e seu corpo é venerado em Forli, na basílica dos Servos de Maria, a ele dedicada. Foi canonizado por Bento XIII em 1726.

Trago em meu corpo o sofrimento de Jesus

No ano de 1285, quando São Filipe, prior geral dos Servos de Maria, tentava reconduzir à obediência da Santa Sé a cidade de Forli, contra a qual o papa lançara o interdito, foi expulso da cidade com afrontas e pancadas. Como bom discípulo de Cristo, estando ele a rezar pelos que lhe haviam batido, um destes, um jovem de nome Peregrino, da nobre família dos Laziosi, arrependido, foi pedir lhe perdão. O santo acolheu-o com amor e lhe perdoou.

A partir de então, Peregrino deixou de lado as vaidades terrenas e pedia insistentemente à Virgem Maria que lhe mostrasse o caminho da salvação. Alguns anos mais tarde, inspirado pela mesma Virgem, ingressou corno noviço no convento dos Servos de Maria de Sena. Recebendo o habito da Ordem, doou-se ao serviço da Virgem Maria e, em companhia dos Bem-aventurados Francisco e Joaquim de Sena, cumpria fielmente os deveres da vida religiosa na Ordem.

Alguns anos depois, voltou para Forli, sua cidade natal. Distinguiu-se pela fidelidade à vida monástica - oração comunitária, leitura da bíblia, vigílias e jejuns - e pelo amor aos pobres e aos camponeses. Diz-se até que teria milagrosamente multiplicado trigo e vinho.

Notável, sobretudo, seu espírito de penitencia. Chorava os erros da vida passada e os confessava freqüentemente. Submetia seu corpo a duros castigos. Quando sentia cansaço, reclinava a cabeça nos bancos da igreja ou em alguma pedra. Se o sono o surpreendia, não procurava a cama, mas deitava-se no chão duro. Em decorrência desse estilo de vida tão sacrificado, aos 60 anos de idade, foi acometido por varizes, que se transformaram em chaga maligna na perna direita.

O mal alcançou proporções tais que o médico Paulo Salazio, apos consultá-lo no convento, com o consentimento dos frades, decidiu amputar-lbe quanto antes a perna. Peregrino, porém, na véspera da operação, arrastou-se até a sala capitular e pos-se a rezar diante do crucifixo. Vencido pelo cansaço, adormeceu. Durante o sono, pareceu-lbe ver Jesus descer da cruz, tocar-lbe a perna e curá-lo. No dia seguinte, ao chegar para a operação, o médico não encontrou sinal algum da chaga, nem sequer cicatriz. Ficou profundamente impressionado e espalhou pela cidade a notícia do milagre, que aumentou mais ainda a estima do povo pelo santo frade.

Peregrino morreu por volta de 1345, já octogenário, v1tima de febre alta. O povo acorreu de toda a cidade e região para prestar-lhe a ultima homenagem. Diz-se que alguns doentes, por sua intercessão o, ficaram curados.

Em 1609, Paulo V inscreveu-o no catalogo dos bem-aventurados e, em 1726, Bento XIII o proclamou santo. Seu corpo repousa na basílica dos Servos de Maria em Forli, onde continua sendo alvo da veneração dos seus concidadãos, que o escolheram corno co-padroeiro da cidade. Em 1942, Pio XII declarou-o padroeiro principal da cidade de Forli.

Oração

Ó Deus, vós nos destes em São Peregrino um admirável exemplo de penitencia e paciência. Concedei, benigno, que, a seu exemplo e por sua intercessão, suportando corajosamente os sofrimentos desta vida, alegres caminhemos para o reino dos céus. Por nosso Senhor.

 

Santa Juliana Falconieri

19 de junho

Juliana, natural de Florença, Itália, atraída pela santidade de vida dos primeiros frades Servos de Maria, consagrou-se a Deus, entregando-se á contemplação, á penitencia e ás obras de misericórdia. Fazia parte de um grupo de mulheres que, embora vivendo em suas casa, usavam o hábito das assim-chamadas Manteladas e viviam segundo o estilo de vida dos nossos primeiros frades.

Entre elas, Juliana a tal ponto se destacou que a tradição passou a considera-la como fundadora do ramo feminino da Ordem. Tinha grande devoção á Mãe do Senhor e amava particularmente a eucaristia.

Morreu por volta de 1341. Seu corpo é venerado em Florença, na basílica da Santíssima Anunciada. Foi proclamada santa por Clemente XII em 1737.

 

Mãe e modelo das comunidades femininas dos Servos de Maria

Juliana nasceu em Florença no século XIII, quando ainda viviam alguns dos frades que haviam iniciado a nossa Ordem. Diz-se até que pertencia à família dos Falconieri.

As poucas notícias históricas a seu respeito chegaram até nos principalmente através de dois opúsculos, escritos por frei Paulo Attavanti na segunda metade do século XV: o ((Dialogo sobre a origem da Ordem dos Servos de Maria", e uma coletânea incompleta de pregações quares mais, intitulada "Paulina praedicabilis". O autor, entre outras coisas, registra a tradição corrente sobre a figura desta santa de Florença. Eis, em síntese, os dados de que dispomos.

Aos quinze anos, ao ouvir urna pregação de Santo Aleixo sobre o juízo final, Juliana ficou de tal maneira tocada por suas palavras que decidiu entregar-se totalmente à contemplação divina e ao seguimento de Cristo. Freqüentando a igreja dos Servos de Maria, cuja Ordem estava então iniciando, sentia-se edificada, em modo particular, pela autenticidade evangélica da vida dos frades. Por isso, tanto suplicou à Rainha do céu e a seus pais, que lhe foi concedido vestir o habito dos Servos de Maria. Com outras jovens e mulheres de vida santa, que nutriam o mesmo propósito de conversão e de caridade, freqüentava a igreja dos Servos de Maria de Cafaggio, às portas da cidade. Participavam da liturgia, cantavam os louvores da Virgem Maria e serviam os irmãos, principalmente os mais pobres. Juliana era a orientadora de suas companheiras e, juntas, aspiravam viver mais radicalmente o ex em pio de Cristo, sob a proteção da Virgem Maria. É por isso que corno diz frei Paulo Attavanti - "... é tida corno a ilustre fundadora das irmãs e das monjas da Ordem dos Servos de Maria".

Verdadeira discípula de Jesus e de sua Mãe, repelia decididamente o egoísmo, o espírito mundano e as tentações do demônio. Embora de jovem idade, superava os adultos em virtude. Sua santidade manifestou-se em muitos prodígios operados em vida e, sobretudo, na hora da morte, quando, extenuada pelos jejuns, cilícios, vigílias de oração e outras penitencias corporais, não podia ingerir qualquer tipo de alimento. Ela, porém, ardentemente desejava receber o Corpo de Cristo; por isso, pediu com insistência que a Hóstia consagrada lhe fosse colo cada sobre o peito. Na Idade Média essa pratica de piedade era muito comum, para conforto dos enfermos que desejavam receber a comunhão, mas não podiam fazê-lo pela gravidade de doença. O sacerdote acompanhava o rito com urna oração: pedia a Deus, que havia infundido a alma no corpo, que santificasse a alma do doente, mediante o Corpo do seu Filho. Isso feito, Juliana expirou, cheia de alegria por ter sido atendida. Diz a tradição que a santa Hóstia desapareceu corno se houvera penetrado misteriosamente em seu peito.

Seu corpo repousa na basílica da Santíssima Anunciada, em Florença. Foi canonizada por Clemente XII em 1737. Ao longo dos séculos até os dias de hoje, muitas mulheres tem abraçado o estilo de vida dos Servos de Maria, desejosas de seguir a Cristo e de servir a Virgem Mãe. Algumas viveram ou vivem em suas casas e outras em comunidades. Todas, depois de Nossa Senhora, tem Santa Juliana corno mestra de vida espiritual e de serviço apostólico. E ela, que não fundou nenhuma família religiosa, é invocada e venera da por todas corno "mãe".

Oração

Ó Deus, por meio de Santa Juliana, exemplo de castidade e de penitencia, suscitastes na Ordem dos Servos de Maria uma família de virgens a vós consagradas; fazei que a vossa Igreja, movida pelo amor do Esposo, mantenha sempre vivia a chama da virgindade fecunda. Por nosso Senhor.



Santa Clélia Barbieri

13 de julho

Clélia nasceu em Lê Budrie, na diocese de Bolonha, Itália, aos 13 de fevereiro de 1847. De família pobre, recebeu, desde pequena, esmerada educação.

Em 1868, ela a três companheiras reuniram-se em comunidade, passando a dedicar-se inteiramente á educação das meninas abandonadas. Morreu em Lê Budrie, em 1870, quando tinha 23 anos de idade. Seu corpo está aí sepultado e exposto a veneração pública.

Foi beatificada por Paulo VI a 27 de outubro de 1968, e canonizada por João Paulo II a 9 abril de 1989. Do pequeno grupo inicial superadas as dificuldades, originou-se a Congregação das irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores.

 

Deus escolheu o que é fraco no mundo

Clé1ia nasceu na localidade chamada Le Budrie, na diocese italiana de Bolonha, aos 13 de fevereiro de 1847, filha de José Barbieri e de Jacinta Nanetti, casal de vida crista exemplar. Desde pequena, sofreu muitas necessidades. O que sua família ganhava com o trabalho mal dava para sobreviver. Além disso, as doenças eram freqüentes. O pai morreu de c6lera quando Clélia tinha oito anos de idade.

Desde cedo aprendeu da mãe a costurar e a fiar, mas, acima de tudo, a amar a Deus e a viver santamente. Muitas vezes pedia à mãe: "Mamãe, fala-me de Deus"; ou então perguntava: "Mamãe, o que devo fazer para ser santa?" La com frequencia à igreja para rezar e dedicava-se com amor ao estudo do catecismo. De indole mansa e bondosa, tinha uma grande transparencia interior. Em casa, fiava o dínamo com muito capricho. Certa vez que a mãe lhe disse não ser necessário esmerar-se tanto, ela respondeu: "Mãe, não é justo fazer o trabalho mal feito, porque nos pagam e receio enganar os outros".

Alimentava o espírito com boas leituras, entre as quais os "Exercícios para amar a Jesus Cristo", de Santo Afonso de Ligorio, e a "Pilotéia", de José Riva. Tinha no Padre Caetano Guidi, pároco de "Le Budrie", um ótimo mestre de espírito e, sob sua orientação, fez rápidos progressos no caminho do bem.

Animada por ele, e por sua boa índole, entregou-se totalmente ao serviço de Deus e dos irmãos. Com outras jovens do lugar, ajudava os pobres e ensinava o catecismo às crianças. Aos domingos, apos a oração das Vésperas, costumava reunir-se com três de suas amigas: juntas, falavam de Deus e, aos poucos, foi-se firmando nelas o propósito de formar uma comunidade. "Nos somos tão pobres - dizia Clélia - que nenhuma Congregação nos aceitara. É melhor que nos unamos e, juntas, levemos vida de recolhimento e de serviço aos outros".

E assim foi que no dia l0 maio de 1868, Clélia e suas três companheiras, confiantes no Senhor, passaram a viver juntas numa casinha chamada "Casa do Mestre", que depois passou a chamar-se "Retiro de Le Budrie", e ainda hoje é tido como o berço da Congregação das Mínimas de Nossa Senhora das Dores. Finalidade principal da novel Congregação era dar uma formação crista às meninas órfãs ou abandonadas pelos pais, e ensinar-lhes a fazer trabalhos manuais.

Pouco tempo depois, Clélia, durante os exercícios espirituais, compôs urna regra de vida baseada na oração, no sacrifício, no trabalho e na caridade. A nova comunidade tomou como protetores Nossa Senhora das Dores, cuja devoçao fora difundida na diocese de Bolonha pelos Servos de Maria, e São Francisco de Paula, ao qual recorriam sobretudo nas necessidades.

O pároco, padre Caetano Guidi, colocou à frente da nove! família religiosa a própria Clé1ia, que Deus havia agraciado com seus dons, como se deduz do único documento remanescente: a carta" ao querido esposo Jesus".

A essa altura, começaram a manifestar-se os primeiros sintomas da tuberculose, que a obrigariam a ficar sete meses de cama. Morreu no dia 13 de julho de 1870, pronunciando estas palavras: "Tende animo, porque eu vou para o céu, mas estarei sempre convosco e jamais vos abandonarei". No primeiro aniversario de sua morte, estando as irmãs a rezar juntas naquele que fora o seu quarto, ouviram uma voz que fazia coro com elas: todas reconheceram que era a voz de Clélia, que se unia a elas na oração, cumprindo assim a promessa feita.

A Congregação das Mínimas de Nossa Senhora das Dores foi agregada à Ordem dos Servos de Maria em 1951.

Clélia foi beatificada por Paulo VI em 1968, e canonizada por João Paulo II no dia 9 de abril de 1989. Seu corpo repousa na capela da casa-mae da Congregação, em Le Budrie.

Oração

Ó Deus, que nos destes em Santa Clélia um exemplo de vida evangélica e di disponibilidade em servir os irmãos, concedei que nós também saibamos imitar a Cristo, manso e humilde de coração, para alcançarmos a herança no vosso reino. Por nosso Senhor.



São Filipe Benizi

23 de agosto

Filipe nasceu em Florença, Itália, no início do século XIII. Entrou na Ordem dos Servos de Maria como irmão leigo. Alguns anos depois, sua ciência tornou-se providencialmente conhecida, sendo então ordenado presbítero.

Eleito prior geral em 1267, ocupou este cargo até a morte. Governou a Ordem com grande equilíbrio, dotando-a de uma sábia legislação, defendendo com tenacidade sua sobrevivência e tornado-a célebre com sua santidade.

Recebeu na Ordem muitos irmãos, estes também homens de grande dedicação á vida religiosa, que tinham São Filipe em conta de mestre e modelo de vida evangélica e de serviço á Virgem Maria.

Com razão, pos é tido como um dos Pais da Ordem. Morreu em 1285 em Todi, na Úmbria, onde ainda hoje seu corpo é venerado. Foi canonizado por Clemente X em 1671.

 

Da "Legenda" do Bem.aventurado Filipe, de autor anônimo do século XIV (n° 5.7-12.19.23 passim; Monumenta O.S.M., II, p. 69-79)

 

Deus olhou para a humildade do seu servo

Filipe dirigiu-se ao convento de Santa Maria de Cafaggio e, la chegando, pediu insistentemente pelo prior. Era então prior do convento um venerável padre de nome Bonfilho, que recebeu o servo de Deus. Os dois ficaram longo tempo conversando sobre as coisas divinas. A ele, o homem de Deus, Filipe, contou uma visão que revela. Depois pediu para ser admitido na companhia dos frades até a morte.

Aproximando-se a hora do almoço dos frades, Filipe sentou-se à mesa com eles. Terminado o almoço, os frades deliberaram juntos e o acolheram como irmão e companheiro. Era o ano do Senhor de 1254. Filipe recebeu de lês o habito de irmão leigo, empunhando o escudo de uma grande humildade e obediência, com que vencia todas as armas do maligno.

Aprouve ao Altíssimo olhar para o seu servo e revelar aos confrades a sua ciência, que viria a tornar ilustre a Ordem. Aconteceu que, certo dia, por salutar obediência, ele foi mandado para Sena, em companhia de um confrade de nome Vitor. Pelo caminho, encontraram dois frades da Ordem dos Pregadores, provenientes da Alemanha, os quais se admiraram de ver aqueles frades com um habito para eles desconhecido. Puseram-se então a falar com o Bem-aventurado Filipe, perguntando de que condição eram e de que Ordem traziam o habito. A eles o homem de Deus, com toda humildade e profunda sabedoria, assim respondeu: "Se quiserdes saber a respeito da nossa origem, somos naturais desta cidade; se perguntardes de que condição somos, chamam.nos Servos da Virgem gloriosa, de cuja viuvez trazemos o habito; levamos uma vida segundo o exemplo dos santos apóstolos e procuramos viver  segundo a Regra de Santo Agostinho". E assim discorrendo, vieram a tratar de questões difíceis, às quais o homem de Deus respondia com grande segurança, demonstrando, acima de tudo, uma fé autentica, validamente sustentada com intuirás citações e exemplos dos santos. Depois, cada qual seguiu o seu caminho.

Então o companheiro do Bem-aventurado Filipe lhe disse: "Irmão, por que, quando foste recebido na Ordem, nada disseste da ciência que possuis, com a escassez que temos de homens sábios, enquanto tu agora discutiste tão habilmente com esses frades? Em verdade te digo que hoje a chama da sabedoria acendeu-se entre nos". Então o Bem-aventurado Filipe pediu-lhe de joelhos que, pelo amor de Deus, fizesse o favor de não revelar nada a ninguém. Mas, quando retornaram a Florença, o companheiro do santo homem pos-se logo a contar aos outros como o Bem-aventurado Filipe se havia portado com aqueles forasteiros. Diante disso, todos encheram-se de alegria. Fizeram-no a clérigo e, de grau em grau, o promoveram às Sagradas Ordens.

Chegou o dia em que o prior frei Bonfilho tomou o caminho destinado a todos os mortais. Reunidos os frades para celebrar o Capitulo na cidade de Florença, no ano do Senhor de 1266, o então prior geral frei Maneto de Florença demitiu-se do cargo. Os frades capitulares, inspirados pelo Espírito Santo, unanimemente elegeram o Bem aventurado Filipe, embora ele se encontrasse então no convento de Cesena. Humilde e sereno, Filipe não queria aceitar o cargo, mas acabou cedendo à vontade dos irmãos.

Diz-se que por dezenove anos ocupou esse cargo. Todo ano, no Capítulo, com lagrimas, suplicava aos frades que o dispensassem do cargo, alegando humildemente não ser apto para a missão. Mas os frades davam mais importância à sua santidade e o ao bem da Ordem, por isso se recusavam a dispensá-lo.  Ele, então, por dias seguidos, chorava em segredo e sofria por não poder realizar seu desejo. O santo homem, vendo que de nenhuma maneira conseguia deixar o cargo com o apoio dos frades, achando-se certa vez em Roma, com alguns companheiros, para tratar dos interesses da Ordem, não podendo ocultar o seu desejo, planejou obter diretamente do Sumo Pontífice o que não conseguia dos confrades. Todavia, frei Lotaringo de Florença, homem prudente e discreto, que ha tempo conhecia suas intenções, suspeitou o que o Bem-aventurado Filipe tencionava fazer, embora não tivesse certeza. Por isso, a caminho do palácio papal, temendo que isso ocorresse, perguntou-lhe porque queria ver o papa, e acrescentou que de modo algum continuaria o caminho com ele, se não lhe dissesse a verdade. O Bem-aventurado Filipe, não podendo esconder e nem falsear a verdade, contou-lhe seu propósito, suplicando encarecidamente que o ajudasse a realizar o seu desejo. Ouvindo isso, frei Lotaringo esconjurou-lhe com veemência a desistir do intento, pois isso traria grande prejuízo para a Ordem e contrariava a vontade de todos os frades. E concluiu dizendo que de maneira nenhuma o acompanharia diante do Sumo Pontífice para esse fim. E assim, também dessa vez, sua intenção caiu por terra.

Certa vez, estando o Bem-aventurado Filipe a visitar a Ordem, ao passar perto da localidade chamada Gagliano, encontrou um leproso, deitado à margem da estrada, pedindo esmola. Filipe deu-lhe a manta. O leproso, ao vesti La, ficou curado e pos-se a correr ao seu encalço gritando:

"Santo homem, digna-te esperar-me para que eu possa agradecer-te". Mas Filipe lhe disse: "Da gloria a Deus, vai em paz e não digas nada a ninguém".

Quando, pois, chegou o tempo em que o homem de Deus devia partir para a gloria dos santos - o que ele tanto suplicava a Deus -, encaminhou-se para Todi, pequena cidade da Úmbria, onde havia um convento dos Servos de Maria, de recente fundação, o mais pobre e mais insignificante da Ordem. No mês de agosto, passado o dia da Assunção de Nossa Senhora, o Senhor quis que seu servo Filipe fosse levado aos céus pelos anjos. No oitavo dia apos a Assunção, o homem de Deus, rodeado pelos frades em oração, partiu para o céu. Era o ano do Senhor de 1285.

Oração

Ó Deus, glória dos humildes, per meio de São Filipe protegestes com amor a família dos Servos de Santa Maria, amplamente a propagastes e com santas leis a consolidastes. Concedei-nos que, á imitação de tão grande pai, sirvamos fielmente a Virgem Maria e propaguemos com zelo apostólico a palavra do vosso Filho, Jesus Cristo, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.