BEATOS E BEATAS DA ORDEM


TIAGO DE CITTÀ DELLA PIEVE   JOAQUIM DE SENA    ISABEL PICENARDI      BENINCASA DE MONTEPULCIANO      FRANCISCO DE SENA  TIAGO FILIPE BERTONI      TOMÁS DE ORVIETO      FERNANDO M. BACCILIERI      UBALDO DE BORGO SANSEPOLCRO     ANDRÉ DE SANSEPOLCRO     JOANA DE FLORENÇA     BOAVENTURA DE FORLI     MARIA GUADALUPE RICART OLMOS     JOÃO ÃNGELO DE MILÃO     JERONIMO DE    SANT’ANGELO IN VADO     BOAVENTURA DE PISTÓIA   


Bem-aventurado Tiago de Città della Pieve  o “esmoleiro”

15 de janeiro

 Tiago nasceu em Città della Pieve, povoado da região da Úmbria, na Itália, por volta de 1270. Tendo estudado jurisprudência, fez-se advogado dos pobres e oprimidos. Restaurou, ás suas expensas, a igreja e o asilo situado perto do convento dos frades.

Aí acolhia e socorria, com grande caridade, os doentes e os pobres, cujos direitos ele defendeu contra a ganância do bispo de Chiusi. Este, ferido em sua honra, mandou assassina-lo. Corria o ano de 1304. Foi venerado por seus conterrâneos como “o santo esmoleiro”.

Pio VII aprovou o seu culto em 1806.

 

Defensor dos pobres e dos oprimidos

Tiago, filho de Antônio e de Mostiola, nasceu em Città della Pieve, povoado situado na região da Úmbria, na Itália, por volta de 1270. Desde criança, distinguiu-se por sua piedade e temor de Deus. Freqüentava assiduamente a vizinha igreja dos Servos de Maria, participando com gosto dos atos litúrgicos. Alguns indícios mostram que ele teria estudado Letras e Direito na cidade de Sena, com um bom aproveitamento em ambas as disciplinas.

Desde então começou a interessar-se pelos pobres e doentes e, como advogado, não poupava sacrifícios para defender os órfãos, as viúvas e os necessitados. Para melhor cumprir o mandamento do Senhor, decidiu distribuir todos os seus bens aos pobres e dedicar-se unicamente ao atendimento dos doentes. Como prova de sua grande caridade, o autor de sua mais antiga biografia ou "Legenda" diz dele o que se diz de muitos santos: Tiago, durante a missa, foi tocado por estas palavras do Senhor: "Se alguém vem a mim e tem mais amor ao pai, à mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e mesmo à própria vida" e "não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo" (Le 14,26.33). Considerando tais palavras ditas a si, Tiago abandonou tudo e se por a serviço de Deus e do próximo. Embora esse episodio seja um lugar comum nas biografias dos santos, não deixa de ser um sinal da fama de santidade que desde então ele tinha.

Restaurou, às suas expensas, a igreja e o asilo situados fora da porta da cidade, que estavam em ruínas. Ai acolhia os mais pobres, servindo-os com grande caridade: dava lhes comida, curava suas feridas e prestava-lhes os serviços mais humildes. Quando o bispo de Chiusi, senhor muito poderoso, tentou usurpar os bens do asilo, Tiago defendeu os direitos dos seus pobres nos tribunais da cúria romana, à qual fizera apelo, e ganhou a causa. Diante disso, o bispo, com palavras falsas e a pretexto de fazer as pazes, convidou-o para um encontro em Chiusi. Quando voltava desse encontro para Città della Pieve, Tiago foi assassinado pelos sicários do bispo. Assim foi que, em 1304, morreu o Bem-aventurado Tiago, defensor dos pobres e dos oprimidos, que também com seu sangue deu testemunho de justiça e de caridade.

Algumas cartas, documentos e antigas imagens do Bem-aventurado Tiago parecem dar a entender que ele teria sido terciário não s6 da Ordem dos Servos de Maria, mas também da Ordem dos Frades Menores, bem como oblato do asilo de Santa Maria della Scala, de Sena: isso era muito comum na época.

Em 1806 a Congregação dos Ritos aprovou o seu culto; em 1846 Pio IX autorizou a Ordem a venerá-lo com Missa e Ofícios próprios.

Oração

Deus, nosso Pai impelido por vosso amor, o Bem-aventurado Tiago não hesitou enfrentar a própria morte para defender os direitos dos pobres: fazei que nada nos intimide na defesa da justiça e da caridade. Por nosso Senhor...



Bem-aventurado Joaquim de Sena

3 de fevereiro

Nascido em Sena, Itália, em 1258, quando tinha apenas 14 anos de idade foi recebido na Ordem dos Servos de Maria por São Filipe.

Viveu sempre nos conventos de Sena e Arezzo, distinguindo-se pela devoção a Virgem Maria e por sua humildade e caridade. A tal ponto amou o próximo que, certa vez, ao tentar em vão consolar um epilético, tomou sobre si a sua enfermidade .

Morreu em 1395. Seu corpo é venerado em Sena, na igreja de São Clemente, dos Servos de Maria. Ainda hoje, as mães levam as crianças recém-nascidas ao altar do Bem-aventurado Joaquim, para invocar sobre elas sua proteção. Em 1609, Paulo V aprovou a Missa e o Ofício próprios.

 

Da "Legenda" do Bem-aventurado Joaquim de Sena (nO 16.17-19 passim; Monumenta O.S.M., V, p. 7-9.11-12)

 

Trago em meu corpo os sofrimentos de Cristo

Joaquim nasceu em Sena, Itália, de família nobre. Desde criança, cultivou uma particular devoção à Mãe de Deus: em seu nome, tudo o que podia tirar às escondidas de sua casa, dava-o a quem precisasse. Era um menino de boa índole e amava, acima de qualquer coisa, honrar a Virgem gloriosa. Por isso, todos o tinham em conta de santo e, coma que prevendo o futuro, diziam: "Se este menino viver, será grande em santidade".

Aos 14 anos de idade, certa feita, enquanto dormia, teve uma visão da Virgem Maria que lhe dizia: "Filho querido, vem a mimo Sei o quanto me amas e por isso te recebo para sempre em meu serviço" . Acordando-se, ele ficou tão tocado por esta extraordinária visão da Virgem Maria, que sem hesitar decidiu ingressar na Ordem dos seus Servos.

Encontrava-se então no convento de Sena frei Filipe, prior geral da Ordem, luz resplendente, testemunha de Cristo e pai de grande santidade, que acolheu o jovem e perguntou-lhe que nome queria tomar. O jovem, que se chamava Claramonte, pela devoção que tinha à Virgem Maria, pediu para ser chamado Joaquim, nome do pai de Nossa Senhora, a fim de tem sempre consigo na mente e no coração.

Entrando na Ordem, Joaquim, apesar de suas origens nobres e da pouca idade, coma se ja estivesse no auge do seu vigor físico, com toda humildade, realizava as tarefas mais humildes e os trabalhos mais pesados. Movia-se de compaixão pelos aflitos, assistia os doentes e cumpria com

solicitude as tarefas mais desprezíveis, que aos outros causavam repugnância.

Amava particularmente a obediência, que ele chamava de alimento de sua alma, corno dizia o Salvador: "Meu alimento é fazer a vontade do meu Pai que esta nos céus" (Jô 4,34).

São Filipe transferiu-o para o convento de Arezzo. Fazia um ano que ai se encontrava, quando ocorreu o fato seguinte. Ao percorrer a região, em companhia de frei Acquisto de Arezzo, homem de grande reputação, sucedeu que sobreveio uma chuva torrencial e caiu a noite. Refugiaram-se num albergue e ai encontraram um homem, que ha tempo sofria de grave doença. Joaquim, ao ouvir seus lamentos, disse-lhe: "Irmão, tem paciência porque esta doença será para ti causa de salvação". E o doente replicou: "Meu bom frade, é mais fácil louvar a enfermidade nos outros do que suporta-Ia na própria carne". Ao que Joaquim respondeu: "Suplico a Deus todo-poderoso que te livre desta enfermidade e a faça cair sobre mim, seu servo, de sorte que eu não possa dela livrar-me a não ser com a morte. Assim, trarei em meu corpo para sempre os sofrimentos de Cristo". Levantando-se, o doente viu-se curado. Joaquim, porém, ficou epilético pelo resto da vida, alcançando assim, de certa forma, a coroa do martírio.

Mas aprouve ao Altíssimo premia-lo com mais uma coroa, provando-o com outra doença grave: apareceram-lhe pelo corpo algumas chagas que lhe iam corroendo a carne até os ossos. Joaquim tudo fez para ocultar a doença. Quando seus confrades descobriram, moveram-se de compaixão por ele e pediram-lhe que rogasse ao Senhor para que o libertasse do mal. Ele, porém, respondeu: "Queridos irmãos, isso não me traz nenhuma vantagem, porque esta doença permite-me expiar os meus pecados, fortalecer a minha alma e dizer corno o apostolo Paulo: «Quando me sinto fraco, então é que sou forte» (2Cor 12,10)".

Quando Deus lhe revelou que a morte estava próxima, Joaquim pedia insistentemente que o levasse deste mundo no mesmo dia da morte do Salvador. Na véspera do seu passamento deste mundo, na Quinta-feira Santa, estando os frades reunidos à sua volta, ele disse: "Irmãos queridos, trinta e três anos passei convosco, corno trinta e três foram os anos que o Senhor passou nesta terra. De vos recebi muitos favores e, com amor, me atendestes em todas as minhas necessidades. Não sei corno agradecer por tudo o que de vos recebi. O Senhor Jesus Cristo vos agradecem e vos recompensara pelo que fizestes por mimo Amanha eu vos deixarei. Peço-vos que supliqueis por mim ao Senhor, para que se digne acolher este pecador em sua morada. Antes de separar-me de vos, quero cumprir convosco um gesto de amor". E com eles tomou um copo de vinho.

Na Sexta-feira Santa, ao se iniciar a celebração da Paixão do Senhor, Joaquim mandou chamar o prior e lhe disse: "Pai, logo o Senhor me chamara. Reuni os frades ao meu redor, para que eu não me afaste deles sem vê-los. Dai-me os 6ltimos sacramentos, embora tenha ontem participado da Ceia do Senhor". O prior não levou muito a sério as suas palavras, mas deixou quatro frades com ele. Então Joaquim pôs-se a rezar e, enquanto na igreja se proclamava o evangelho da Paixão do Senhor, às palavras "inclinando a cabeça, expirou", Joaquim, olhando para o alto e, confortado pela presença dos confrades, entregou sua alma a Deus.

Oração

Ó Deus, ensinastes o Bem-aventurado Joaquim, discípulo de Cristo e de sua humilde Mãe, a servir com tal dedicação os irmãos, a ponto de assumir sobre si suas doenças; por sua intercessão dai-nos saber suportar nossas enfermidades e compartilhar o sofrimento dos irmãos. Por nosso Senhor.



Bem-aventurada Isabel Picenardi

19 de fevereiro

Isabel nasceu por volta de 1428, provavelmente em Cremona, na Itália. Freqüentava a igreja de São barnabé, dos Servos de Maria, em Mantua.

Consagrou-se ao Senhor e recebeu o hábito de terciária da nossa Ordem, que ela amava com predileção especial.

De fato, no testamento escrito um ano antes da morte, ela deixou em herança aos frades seu breviário, e á igreja, trezentos ducados. Tinha grande amor á eucaristia e á Mãe de Deus.

Seu corpo, sepultado na igreja de São Barnabé, depois da supressão do convento, foi transladado para a vila de Tor dei Picenardi, em Cremona.

 

Da "Legenda" da Bem-aventurada Isabel Picenardi (Moniales o.S.M., I, 1963, p. 29-32)

Foi mediadora segura junto à Mie de Deus

Isabel, filha de Leonardo Picenardi, nasceu em Cremona, em 1428. Quando criança, mudou-se com a família para Mantua. Seu pai, administrador do marques de Gonzaga, varias vezes tentou dá-la em casamento a algum nobre. Ela, porém, devota corno era da santa Virgem Maria, escolheu ávida de castidade e recebeu o habito dos Servos de Maria.

Decidida a guardar a virgindade para sempre, desde sua tenra juventude até a morte, trouxe em seu corpo um silício e um cinto de ferro. Recitava sempre o Oficio Divino e recebia amiúde a eucaristia das mãos de frei Barnabé de Mantua, que diariamente a ouvia em confissão. Ao receber os sacramentos, comovia-se até as lagrimas.

Foi provada por muitas doenças, principalmente depois da morte do pai, quando foi morar com sua Irma Ursulina, esposa de um nobre chamado Bartolomeu Gorni. Viveu até o fim da vida numa pequena cela, perto da igreja de São Barnabé, dos Servos de Maria. Muitas pessoas a ela recorriam, pois a tinham corno intercessora junto à Mãe de Deus.

Tinha o dom da profecia e previu o dia e a hora da sua morte. Nos últimos nove dias de vida, embora sofrendo fortes dores intestinais, agradecia constantemente ao Senhor e à bem-aventurada Virgem Maria por haver conservado intacta sua virgindade e porque jamais havia recorrido à Mãe das Graças sem ser atendida.

Na hora da morte, foi vista tão compenetrada em si mesma corno se estivesse escutando urna sublime melodia. As dores causadas pela doença em nada ofuscavam a alegria que transparecia do seu rosto sereno. Tinha o olhar tão absorto que parecia estar vendo diante de si o Senhor Jesus e a sua misericordiosa Mãe. Morreu aos 19 de fevereiro de 1468. Era sexta-feira, dia consagrado à paixão e morte do Senhor Jesus, por cuja graça ela havia suportado pacientemente os sofrimentos da vida.

Oração

Senhor, a Bem-aventurada Isabel de tal modo amou a Virgem Maria que fez de sua vida uma oferta agradável a vós. Fazei que nós também, a seu exemplo e por suas preces, possamos levar uma vida digna e agradar-vos sempre. Por nosso Senhor.

 


Bem-aventurado Benincasa de Montepulciano

11 de maio

Francisco Benincasa nasceu em Montepulciano, na Itália, por volta de 1375.

Ingressou ainda jovem na Ordem dos Servos de Maria e viveu sua vida religiosa como eremita e penitente. Morreu em 1426. Seu corpo é venerado na igreja paroquial de São Leonardo, em Montichiello.

Pio VIII aprovou seu culto em 1829.

 

Buscou a solidão para deleitar-se no Senhor

Benincasa nasceu por volta de 1375, provavelmente em Montepulciano, Itália. Ainda adolescente, recebeu o habito da Ordem e, aos 25 anos de idade, retirou-se como eremita numa gruta do Monte Amiata, na regia o de Sena, perto do lugar onde - segundo a tradição - São Filipe teria passado algum tempo em penitencia.

Benincasa entra no rol daqueles santos frades que o Espírito sempre tem suscitado ao longo da historia da Ordem .dos Servos de Maria, isso é, daqueles que escolheram ávida de solidão e de silencio, inteiramente voltados para a contemplação. Esses santos, embora vivendo como eremitas, sempre mantiveram íntimos laços de comunhão com a Ordem.

Frei Miguel Poccianti que, em 1567, escreveu a biografia de Benincasa, entre outras coisas, diz: "Quando era tentado pelo espírito impuro, não suplicava ao Senhor que o poupasse da luta, mas que o fortalecesse no combate. Doente, não queria que ninguém o visitasse, e costumava dizer: «O Senhor mergulhou-me no fogo para purificar me da ferrugem». Recusava as esmolas dos que o visitavam; bastava-lhe um pouco de pão e água, pois dizia: «É mais fácil vencer o inimigo quando não se tem nada». Àqueles que lhe traziam o necessário para viver, retribuía com pequenos objetos que ele mesmo fabricava" (Chronicon rerum totius sacri Ordinis Servorum beatae Mariae Virginis..., p. 202). Frei Miguel Poccianti, com essas sóbrias palavras, nos da a imagem viva de U$ homem que, na solidão, vivia entregue à oração e à penitencia e, com o trabalho manual, ganhava o pão de cada dia.

Benincasa morreu em 1426, com 50 anos de idade. Seu corpo foi sepultado na igreja de São Martinho, em Monticchiello, povoado próximo à gruta onde havia vivido.

Perto da igreja, o povo, em sinal de gratidão, construiu um convento para os Servos de Maria. Depois de muitas vicissitudes, seu corpo foi transladado para a igreja paroquial de São Leonardo, onde até hoje é venerado. Pio VII aprovou seu culto em 1829.

Oração

Senhor Deus, infundi em nós o espírito de mansidão e de humildade, com que o vosso servo Francisco honrou a Mãe de Cristo e orientou o vosso povo para os bens eternos. Por nosso Senhor.



Bem-aventurado Francisco de Sena

12 de maio

Francisco nasceu em Sena, Itália , em 1266. Aos 22 anos de idade, ingressou na Ordem dos Servos de Maria.

Ordenado presbítero, distinguiu-se por sua caridade e pela fidelidade à pregação evangélica e ao ministério do aconselhamento. Dele conserva-se uma "Legenda" (= biografia), escrita provavelmente por frei Cristóvão de Parma, seu contemporâneo e confidente.

Morreu em 1328 e seu corpo é venerado em Sena, na igreja dos Servos de Maria. Bento XIV aprovou o seu culto em 1743.

 

Da "Legenda" do Bem-aventurado Francisco de Sena, escrita por Frei Cristóvão de Parma (n° 6-8.,14.19.30; Monumenta O.S.M., V, p. 24-25.28.29.34)

Escolheu a Virgem gloriosa coma sua Mãe e Senhora

O jovem Francisco escolhera a Virgem gloriosa corno sua Mãe e Senhora. A ela devotava, de corpo e alma, grande reverencia, ao ponto de chama-Ia somente pelo nome de Senhora. Tinha por habito ajoelhar-se diante de sua imagem até quinhentas vezes durante o dia e a noite, recitando a Ave Maria e outras preces de louvor. Suplicava a gloriosa Virgem Maria que o lírio de sua virgindade jamais fosse manchado. Humildade de coração, paciência nas provações e fortaleza diante das ciladas do maligno, era o que mais insistentemente pedia com grande fervor. Obrigava resolutamente a carne a servir ao espírito. Quando desejos violentos afagavam o seu espírito, dominava-os implorando a ajuda de Cristo, seu Rochedo, e da Virgem Maria, sua Senhora. Com lagrimas e gemidos, purificava as culpas veniais que, às vezes, sub-repticiamente penetravam em sua mente. Usava um cilício no corpo e domava a concupiscência da carne flagelando-se.

Morta a mãe, Francisco, livre de tu do que o ligava ao mundo, propôs-se a realizar o que anelava em seu coração, ou seja, afastar-se do mundo e levar vida solitária, a fim de servir pela vida inteira o Criador de todas as coisas e a gloriosa Virgem Maria, sua Senhora. Mas o Senhor e a Virgem gloriosa haviam disposto diversamente. Amiúde meditava em seu coração estas palavras: "Afasta-te para longe dos homens". Mas o Espírito Santo fez-lhe ver que o mal não estava em conviver com os outros homens, mas em imitar os seus vícios. O convívio humano poderia até ajudá-lo a conquistar maiores méritos se, pela palavra salvadora dos seus conselhos e pelo mérito da sua própria vida, ele conseguisse libertar os outros das garras do inimigo, e reconduzir para as sendas da justiça os que, corno animais selvagens, andavam pelo mundo arrastados pelas seduções do demônio.

Convencido que o Senhor lhe falava no intimo do coração, e levado por essa inspiração divina, decidiu ingressar numa Ordem religiosa onde, através da obediência, que Deus prefere aos sacrifícios e às vítimas imoladas (cf. lSm 15,22), e despojado de todos os bens, sem guardar nada para si, poderia mais livremente imitar a Cristo pobre e à Virgem gloriosa. Da mesma forma, deu-se conta que, permanecendo casto e oferecendo a flor da sua pureza e virgindade, poderia melhor servir a Virgem Mãe e seu Filho. Por isso, aos 22 anos de idade, Francisco, que já era de fato um servo de Maria, sentiu-se feliz em ingressar na Ordem dos seus Servos. Os frades que com ele conviveram são testemunhas da eleva da estatura espiritual por ele alcançada, graças à ajuda do Senhor, que é fonte de toda santidade.

O Servo de Deus transbordava de alegria ao ver que a graça divina se manifestava em si. Por isso, entregava-se com maior fervor ainda ao serviço divino e, sem qualquer reserva, doava-se todo à gloriosa Virgem Maria, meditando dia e noite na lei do Senhor e na maneira de crescer cada vez mais nas virtudes.

A não ser por motivo de doença ou de extrema fraqueza, nunca ou mui raramente deitava-se em cama macia. Costumava, antes, deitar-se sobre tabuas ou por terra, com um pequeno travesseiro debaixo da cabeça. Se de dia ou de noite o sono o surpreendia, ao acordar-se, logo se encaminhava para o oratório, que havia feito em sua cela, e se punha a orar diante da imagem da Virgem gloriosa. Além do Oficio divino, tinha por habito recitar amiúde e com grande devoção a saudação angélica e outras preces de louvor à Virgem Maria.

No comer, era sóbrio, mas sem exagero. Costumava dizer que ao asno servidor (assim chamava o seu corpo) não se deve negar o alimento necessário, para que não se recuse a obedecer, nem se revolte (cf. Eclo 33,25; Pr 29,21); um corpo bem alimenta do estará sempre pronto e forte para fazer o bem. E acrescentava: "Nos sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28).

Em 1328, no dia da Ascensão do Senhor, apos a missa, sentiu-se exausto e sem forças para manter-se de pé. Tinha, porém, o compromisso de fazer urna pregação em Prisciano, um povoado próximo a Sena. Antes de partir, ajoelhou-se diante do prior, pediu-lhe a bênção e a absolvição dos pecados e suplicou-lhe que lhe entregasse o bastão de caminhante. O prior não queria aceitar esses gestos de profunda reverencia. Não se dava conta do que ocorria com Francisco e desconhecia os desígnios do Senhor. Então o servo de Deus lhe disse: "Pai, não sei se voltarei a pedir-lhe a bênção". Dito isso, com dificuldade, apoiando se no bastão e no frade que o acompanhava, pos-se a caminho.

Tendo-se afastado um pouco da cidade, à distancia de um arremesso de flecha, exausto, caiu de joelhos por terra e disse: "Ardentemente eu te amo, Senhor, minha força, minha rocha, minha fortaleza e meu refugio" (Sl 17,2b-3). E acrescentou: "Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco" (cf. Lc 1,28). Era a saudação angélica que ele tinha sempre nos lábios. Sustentado pelo confrade, tentou assim mesmo seguir viagem, pois queria ser obediente até a morte.

Oração

Senhor Deus, infundi em nós o espírito de mansidão e de humildade, com que o vosso servo Francisco honrou a Mãe de Cristo e orientou o vosso povo para os bens eternos. Por nosso Senhor.

 


Bem-aventurado Tiago Filipe Bertoni

30 de maio

Nasceu em 1454 na localidade de Celle di Monte Chiaro, diocese de Faenza, Itália. Ficou epilético quanto tinha dois anos de idade. Na ocasião, seu, pai prometeu consagra-lo ao Senhor, caso se curasse.

Obtida a graça, quando o menino completou nove anos de idade, ofereceu-o Deus na Ordem dos Servos de Maria. Tiago Filipe distinguiu-se pelo espírito de oração e de penitencia, pelo amor á sagrada Escritura e ás obras dos Padres da Igreja.

 

Aplicava-se com amor ao estudo do Evangelho e da Sagrada Escritura

Tiago Filipe nasceu em Faenza, Itália. Seus pais, Miserino dalla Cella e Dominga, eram virtuosos e de condição modesta. Antes de entrar na vida religiosa chamava-se André. Quando tinha dois anos, ficou epilético. O pai prometeu então que, se o menino se curasse, ele o consagraria ao Senhor coma frade. Desde pequeno, André freqüentava assiduamente a igreja; não perdia seu tempo com brinquedos, coma costumam fazer as crianças. De temperamento extremamente tímido e silencioso, gostava da solidão.

Quando completou nove anos, seu pai, para cumprir a promessa feita, consagrou-o a Deus na Ordem dos Servos de Maria. iniciando um novo gênero de vida, André mudou de nome, passando a chamar-se Tiago Filipe. Desde jovem, distinguiu-se por um profundo espírito de obediência e de fidelidade à Regra. Adulto, jejuava com freqüência e passava noites inteiras em vigília e oração. Dedicava-se com amor ao estudo do evangelho e da sagrada Escritura. Alimentava o espírito com a leitura constante da vida dos santos Padres e com o exemplo de castidade, obediência e humildade dos Santos. Na juventude, estudou Letras e aprendeu a interpretar com admirável perfeição as obras dos escritores cristãos e dos mais conhecidos autores da literatura latina. Profundo conhecedor das cerimônias litúrgicas da Igreja e da Ordem e das rubricas do Breviário, observava-as fielmente.

Ocupou na Ordem alguns cargos de responsabilidade, para alegria dos seus confrades, com os quais sempre se mostrou afável, manso e serviçal. Nunca foi visto amuado ou nervoso. Com animo sereno, suportava as ofensas; ele, porém, não ofendia os outros. Seus lábios jamais proferiram palavras vai ou supérfluas. E se lhe ocorria ouvir palavras impróprias, chamava a atenção do irmão e logo se afastava.

Ordenado presbítero, celebrava a missa com tal veneração e devoção que chegava às lagrimas. Ninguém coma ele, quando tinha nas mãos o corpo de Cristo, contemplava tão profundamente o mistério da cruz. Era inimigo declarado do ócio, que ele tinha em conta de pai de todos os vícios. Sempre presente no canto e na oração coral da comunidade, transcorria o resto do tempo no quarto, entregue à oração pessoal e ao estudo. Nas horas vagas, distraia-se com algum trabalho manual, mantendo-se sempre ocupado.

Sozinho, passeava pelos corredores, meditando e rezando. Gostava de ler livros sagrados e as obras de São Jerônimo, em modo particular o livreto (do pseudo-Eusébio) que narrava a morte do santo. Acostumado a ter sempre em sua mente pensamentos espirituais, nutria-se mais com o alimento do espírito do que com o pão terreno. Na verdade, comia uma são vez ao dia, contentando-se com uma comida parca e mal preparada; mas, por ordem do prior, passou a tomar as refeições junto com a comunidade. Às sextas-feiras, em memória da paixão do Senhor, usava cilício e alimentava-se são de verduras.

Não gostava de elogios. Embora tido por todos coma um frade de grande bondade e retidão, foi mais estimado por Deus do que pelos homens. A exemplo de Cristo, queria ser zombado e desprezado. Em seu intimo, nada mais desejava do que agradar a Deus, seu Pai e Criador, e seguir o caminho do Redentor.

Nos últimos dias de vida caiu enfermo. Não queria que os outros percebessem, mas seu aspecto físico deixava transparecer seu precário estado de saúde. A quem lhe perguntava como se sentia, respondia: "Estou bem, porque assim o quer o Senhor". Jamais deu mostras de impaciência ou de af1içao, sequer diante da morte, como, de resto, havia sempre feito ao longo da vida. Embora enfermo, não se punha de cama, mas passeava pelo convento. No dia antes da morte, foi à igreja com os confrades para cantar a oração da manha e celebrar a missa. Depois, à tarde, visitou um por um os confrades, pedindo-lhes humildemente que lhe perdoassem e rezassem por sua alma no dia seguinte, porque seu fim - dizia - estava próximo. Assim foi que, aos 29 anos de idade, por volta das três da tarde do dia 25 de maio, domingo da Santíssima Trindade, Tiago Filipe partiu para a pátria celestial.

Homem de alta estatura, era magro e tinha a pele aderente aos ossos, o rosto alongado e sutil, o nariz comprido, os olhos fundos, o pescoço ereto, os dedos longos e a tez acentuadamente pálida.

Ordenado presbítero, ao celebrar os divinos mistérios, irradiava profunda espiritualidade e amor a liturgia. Morreu em 1483. Seu corpo é venerado na catedral de Faenza. Clemente XIII aprovou seu culto em 1761.

Oração

Ó Deus, que ornastes o Bem-aventurado Tiago Filipe com a riqueza da doutrina sagrada e lhe destes celebrar com fervor os divinos mistérios, concedei que desejemos somente a vós , como única fonte da sabedoria e da caridade. Por nosso Senhor.

 


Bem-aventurado Tomás de Orvieto

27 de junho

Tomás nasceu em Orvieto, na Úmbria, Itália, entre o final do século XIII e o início do século XIV. Movido pelo desejo do céu e pelo amor á Virgem Maria, entrou na Ordem dos seus Servos.

Por sua disponibilidade em servir a todos, quis ser irmão leigo. Por Muitos anos foi esmoleiro. No desempenho desse serviço, deu provas de grande caridade e humildade.

Por sua intercessão, Deus operou inúmeros prodígios.

Morreu em 1343. Clemente XIII aprovou seu culto em 1768.

 

Pedia esmola com humildade e dava com alegria

O Bem-aventurado Tomas nasceu em Orvieto, na Úmbria, Itália, entre o final do século XIII e o inicio do século XIV. Para alcançar com maior segurança a pátria celeste, para onde convergiam seus pensamentos e anseios, decidiu consagrar-se a Deus numa família religiosa e, por sua devoção a Santa Maria, entrou na Ordem dos seus Servos.

Distinguiu-se nas virtudes próprias dos Servos de Maria, que constituem o carisma da Ordem, ou seja: a humildade, a caridade fraterna e a disponibilidade ao serviço. Com efeito, assim se le nos "Anais" (Annales O.S.M., I, p. 281, 2B): "Para melhor servir à Virgem Maria e aos seus servos, pediu para ser recebido na Ordem coma irmão leigo".

Por longos anos, passou de porta em porta pedindo esmola. Nesse serviço, foi um exemplo de gentileza, de paciência e caridade. Amava os pobres, aos quais, com alegria, dava tudo o que sobrava da mesa dos frades e, às vezes, até o que lhes era necessário. Sua simplicidade de vida agradou a Deus que, por seu intermédio, ópera inúmeros milagres, como atestam antigos escritores.

As imagens do Bem-aventurado Tomas, algumas notáveis por sua antiguidade e bom gosto artístico, representam-no com a sacola às costas e um ramo de figueira na Mao, fazendo o gesto de oferecer figos a uma mu1her grávida, em pleno inverno. Com tais imagens os artistas quiseram representar, por um lado, a bondade com que este santo irmão atendia a todos os que a ele recorriam, e por outro, o seu poder de intercessão junto a Deus, de quem obteve muitos milagres.

O Bem-aventurado Tomás, humilde servo da Virgem Maria, morreu em 1343 em Orvieto. Seu corpo aí repousa, na igreja dos Servos de Maria. Clemente XIII aprovou oficialmente seu culto em 1768.

Oração

Ó Deus, que inclinais benignamente vossos ouvidos ás preces dos humildes, concedei, pela intercessão do Bem-aventurado Tomás, que vossa família alcance serenidade na vida presente e felicidade eterna na vida futura. Por nosso Senhor.

 

Bem-aventurado Fernando M. Baccilieri

1 de julho

Foi beatificado na Praça de São Pedro, em Roma, por João Paulo II, aos 3 de outubro de 1999, na presença de um grande número de representantes dos Servos e das Servas de Maria. Foi postulador da causa de beatificação o servita frei Tito M. Sartori.

Nascido em Campodoso (Finale Emilia, Módena, Itália) aos 14 de maio de 1821, foi ordenado presbítero em Ferrara aos 2 de março de 1844. Em 1851, assumiu temporariamente a paróquia de Santa Maria de Galeazza (Bolonha), da qual, aos 22 de abril de 1852, foi nomeado pároco. Ficou em Galeazza até a morte, ocorrida em 13 de julho de 1893.

Em 1855, instituiu em Galeazza a Ordem Terceira dos Servos e Servas de Maria e, no ano seguinte, iniciou uma comunidade feminina de vida consagrada que, em 1862, assumiu forma estável e tornou-se a Congregação das Servas de Maria de Galeazza, agregada à Ordem. Das biografias sobre o B. A. Fernando, destaca-se a de M. Grazia Lucchetta, das Servas de Maria de Galeazza, intitulada: Ferdinando Baccilieri, parroco “suo malgrado”, Città Nuova, Roma 1992, 124 p


Bem-aventurado Ubaldo de Borgo Sansepolcro

4 de julho

Ubaldo nasceu em Borgo San Sepolcro, na Toscana, Itália, em meados do século XIII. Ingressou na Ordem dos Servos de Maria e foi ordenado presbítero.

Distinguiu-se por sua santidade e operosidade. Era amigo íntimo de São Filipe. Conta-se que este, agonizante no leito de morte, ao perceber a chegada de frei Ubaldo, recobrou os sentidos e acabou expirando em seus braços.

Ubaldo morreu no convento de Monte Senário em 1315. Seu culto foi aprovado por Pio VII em 1821.

 

Deixou-nos a maravilhosa lembrança de sua vida santa

Ubaldo nasceu nurn povoado chamado Borgo San Sepolcro, na região da Toscana, Itália, em meados do século XIII. Corno escreve frei Paulo Attavanti, "amou a vida religiosa desde a infância". (Dialogus de origine Ordinis, ad Petrum Cosmae, in Monumenta O.S.M., XI, p. 103). Estudou filosofia e letras e, ao ingressar na Ordem dos Servos de Maria, levado pela devoçao a Nossa Senhora, estudou também teologia.

Frei Ubaldo, em pouco tempo, ganhou fama de santidade e distinguiu-se - corno diz frei Paulo Attavanti - corno um "esplendido exemplo de virgindade". Detestava a acomodação, sendo, por isso, muito ativo e empreendedor.

Sua grande amizade com São Filipe é urna nota característica da sua vida e confirma a fama de suas virtudes. Frei Tadeu Adimari (Ve origine et laudibus Ordinis Servorum, in Monumenta O:S.M., XIV, p. 40) e Nicolau Borghese (Philippi Fiorentini... Vita, ibidem, IV, p. 42-43), retornando ambos urna antiga "Legenda" de São Filipe, narram que este, encontrando-se no leito de morte, em Todi, e já ha três horas em estado de inconsciência, quando percebeu a chegada de frei Ubaldo, que fora prodigiosamente informado da situação, recobrou os sentidos e abraçou o amigo e irmão. Depois, confortado por sua presença, partiu para a pátria celeste.

O Bem-aventurado Ubaldo passou seus últimos anos em Monte Senario, onde morreu santamente em 1315, tornando-se conhecido pelos milagres que Deus operou por seu intermédio.

Foi sepultado na igreja de Monte Senario, corno atesta frei Miguel Poccianti (Chronicon rerum totius sacri Ordinis Servorum beatae Mariae Virginis, in Monumenta O.S.M., XII, p. 51). Em 1707, no tumulo dos Sete Santos, perto do altar-mor, foi descoberto um esqueleto de elevada estatura, que se supõe ser do Bem-aventurado Ubaldo. Frei Paulo Attavanti diz que ele era um homem “alto e de bela aparência” (ibidem, p. 104).

Seu culto foi aprovado por Pio VII em 1921. O corpo do Bem-aventurado Ubaldo, em 1969, foi trasladado para a capela de São José, onde hoje repousa, exposto à veneração.

 Oração

Ó Deus, fonte da castidade e do puro amor, pelas preces e exemplos do Bem-aventurado Ubaldo, concedei que vossos servos vos glorifiquem com a santidade de suas vidas e o testemunho de sua unidade. Por nosso Senhor.



Bem-aventurado André de Sansepolcro

31 de agosto

 André ingressou no convento dos Servos de Maria de Borgo Sansepolcro, Toscana, Itália, em 1278, atraído pelas palavras e pelo exemplo de São Filipe.

Amante da penitencia e da solidão, foi viver num eremitério, nos arredores de Sansepolcro.

Outros eremitas, atraídos por seu exemplo, uniram-se a ele, escolheram-no como guia espiritual e passaram a fazer parte da Ordem dos Servos de Maria.

Buscou a solidão

Sabemos, através de alguns documentos, que o Bem aventurado André, também chamado "André, o eremita", viveu por algum tempo no convento de Borgo Sansepolcro, no inicio do século XIV. Frei Miguel Poccianti fala nos das circunstancias do seu ingresso na Ordem. No ano de 1278, no Capitulo Geral celebrado em Borgo Sansepolero, São Filipe proferiu urna homilia, comentando este trecho evangélico: "Quem não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo" (Le 14,33). Um jovem, ao ouvi-lo, ficou profundamente tocado por suas palavras e, movido pelo Espirito Santo, logo deixou os pais e renunciou a todos os seus bens. Em seguida, ingressou na Ordem dos Servos de Maria, tornando o nome de frei André, em homenagem ao apostolo André que, deixando as redes e a barca, seguiu a Cristo (Chronicon rerum totius sacri Ordinis Servorum beatae Mariae Virginis, p. 62).

André foi um fiel servidor da Virgem Maria e um perfeito discípulo de São Filipe. Sabia colher o valor essencial das coisas terrenas, que ele amava em Deus e por Deus. Pobre e austero consigo mesmo, foi bom e generoso com os outros. Manso, humilde e pacifico, alcançou um perfeito domínio de si mesmo. Nunca cedeu ao ócio ou às palavras vãs.

 Movido por um profundo desejo de solidão e de vida penitente, costumava retirar-se para o eremitério de Cela Valucula, perto de Sansepolcro, principalmente depois que o bispo de Città di Castello anexou o eremitério ao convento dos Servos de Maria de Sansepolcro. Isto se deu em 1295. Diz frei Miguel Poccianti que André, nomeado superior do eremitério, reuniu a seu redor alguns eremitas da região, dos quais se tornou pai e guia espiritual. Pela santidade da sua vida e pela força da sua palavra, atraiu muitos discípulos, entre os quais o Bem-aventurado Bartolomeu de Borgo. No exercício do apostolado, distingui use pelos dons da prudência e do conselho. Graças a ele, alguns conventos, corno os de Alessandria e Asti, foram anexados à Ordem dos Servos de Maria.

Morreu em 1315, no eremitério de Valucula. Todos choraram sua morte, pois, de um momento para outro, sentiram-se corno filhos sem pai, órfãos sem tutor, doentes sem médico. A pedido do povo, seu corpo foi levado pelos eremitas para a igreja dos Servos de Maria de San Sepolcro. Pio VII aprovou seu culto em 1806.

Morreu em 1315, enquanto rezava. Seu culto foi aprovado por Pio VII em 1806.

Oração

Senhor Deus, por intermédio do Bem-aventurado André, atraístes outros eremitas á Ordem dos Servos de Maria e os unistes na devoção á Virgem Maria e no amor fraterno. Concedei que nós também, servindo fielmente a Nossa Senhora, possamos pensar e agir concordemente. Por nosso Senhor.



Bem-aventurada Joana de Florença

1 de setembro

 

 

Joana nasceu em Florença, no primeiro século da Ordem dos Servos de Maria.

 

Ingressando na Ordem Terceira, consagrou-se á Virgem Maria por meio de uma vida casta e penitente. Algumas antigas pinturas representam-na entre os santos mais ilustres da Ordem.

 

Seu culto foi aprovado por Leão XII em 1828.

 

Oração

 

Ó Deus, concedestes á Bem-aventurada virgem Joana guardar a inocência mediante uma vida austera. Dai-nos, por sua intercessão, produzir frutos de penitencia e servir-vos de coração puro. Por nosso Senhor.



Bem-aventurado Boaventura de Forlì

6 de setembro 

Boaventura nasceu em Forli, na Romanha, Itália, por volta de 1410. Entrando na Ordem dos Servos de Maria, dedicou-se aos estudos e obteve o título de mestre em teologia.

Em suas pregações, mostrou sempre coragem e sabedoria. Ocupou vários cargos na Ordem e exerceu-os com grande equilíbrio. Amava a penitencia e a solidão.

Promoveu nas comunidades a observância regular. Morreu em Údine, na região friulana, em 1491, e seu corpo aí repousa, no santuário de Nossa Senhora das Graças.

Pior X aprovou o seu culto em 1911.

 

Admirável na força da sua palavra e na santidade

Boaventura nasceu em Forli, na Romanha, Itália, por volta de 1410, e ai mesmo entrou na Ordem dos Servos de Maria. Apos um período de experiência, em 1448, mudou-se para Veneza. Por seis anos, dedicou-se aos estudos, obtendo o mestrado em teologia. Foi provavelmente ai que ele conviveu com frei Bartolomeu, religioso de insigne santidade, que sabia conciliar o amor à contemplação com a pregação assídua do evangelho.

Boaventura exerceu ativamente o ministério da palavra. Os documentos atestam que ele fez muitas pregações, principalmente durante a quaresma, em Veneza, Florença, Bolonha, Brescia, Perusia, com grande concurso popular. Diz frei Filipe Albrizzi que, pelo ardor da sua pregação, Boaventura era comparado ao apostolo Paulo, e atraia a estima e a veneração de todos. Digna de registro a pregação que fez em Perusia, no ano de 1476, durante a epidemia da peste; na ocasião, exortou o povo a pedir a ajuda de Deus com a oração e a penitência, e levou-o a socorrer com generosidade os pobres e os doentes.

Boaventura foi muito ativo na Ordem. Graças a seus esforços, foram incorporados à Ordem os conventos de Forlimpopoli e de Santa Maria do Paraiso, de Clusone (Bérgamo), este em 1488. Segundo um escrito de frei Filipe Tozzi, hoje perdido, ele teria sido procurador da Ordem em 1482. Aos 31 de maio do ano seguinte, quando era prior do convento de São Marcelo, em Roma, o papa Sisto IV autorizou-o a retirar-se para levar vida eremitica com outros seis companheiros, mantendo-se sob a jurisdição direta do prior geral e com a faculdade de atuar em qualquer lugar como pregador apostólico. Não sabemos se e para onde ele se teria retirado: alguns documentos do século XVII levam a seu por que ele tenha passado algum tempo no eremitério de Monte Senario. De qualquer forma, pouco tempo depois, movido pela caridade e pela obediência, Boaventura voltou à vida em comunidade.

Governou sabiamente a província de Romanha, promovendo a disciplina regular. O prior geral frei Antonio Alabanti, decidido a instaurar uma observância mais rigorosa na Ordem, muito se valeu dos seus préstimos. Em 1487, na controvérsia entre a Congregação da Observância e o prior geral, Boaventura empenhou-se para restabelecer a paz; no ano seguinte, no Capitulo da Congregação da Observância, celebrado em Cremona, foi eleito vigário geral, cargo no qual teria si do confirmado pelo Capitulo Geral da Ordem, celebrado logo em seguida em Bolonha.

Alguns escritores da Ordem, amigos de Boaventura, falam do seu amor à penitencia e à solidão. Frei Filipe Albrizzi afirma: "Era de baixa estatura e de compleição física frágil. Tinha cultura média e era um santo religioso. Com pés descalços, enfrentava o calor do verão e o rigor do inverno. Nunca calçou sapatos e andava quase sempre com os pés feridos. Vestia-se pobremente, abstinha-se de carne e de vinho e castigava seu corpo, dormindo no chão ou sobre um tablado. Durante a vida, com sua oração, obteve muitos milagres" (Institutio Congregationis fratrum Servorum B. M. Observantium). Frei Gasparino Borro, poeta, seu contemporâneo, relata mais ou menos as mesmas coisas a seu respeito, em lindos versos.

Em 1491, durante urna pregação quaresmal na catedral de Udine, Boaventura, já ai doso e extenuado pela austeridade de sua vida, sentiu-se mal. Morreu na Quinta-feira Santa.

Seu corpo foi primeiramente venerado na igreja de Santa Maria das Graças, em Udine. Dezesseis anos mais tarde, André Loredan, representante da Rep6blica de Veneza em Udine, recorreu à intercessão do Bem-aventurado Boaventura para obter a cura de urna doença grave. Tendo-se curado, em 1509, terminado seu mandato, voltou para Veneza e, corno sinal de gratidão, conseguiu autorização para levar consigo as relíquias de Boaventura, que foram depositadas na igreja de Santa Maria dos Servos.

Em 1911, a sagrada Congregação dos Ritos aprovou e confirmou seu culto. Em 1971, seu corpo foi levado de volta para Udine e ai repousa na igreja de Santa Maria das Graças.

Oração

Senhor, iluminados pelo exemplo de vida e pela pregação evangélica do Bem-aventurado Boaventura, humildemente vos pedimos: dobrai a dureza da nossa cerviz pela conversão do coração e pela penitencia. Por nosso Senhor.



Bem-aventurada Maria Guadalupe Ricart Olmos

3 de outubro

Beatificada na Praça de São Pedro, em Roma, por João Paulo II, aos 11 de março de 2001, é a primeira mártir da Família dos Servos e Servas de Maria. Foi postulador da causa de beatificação o servita frei Tito M. Sartori. Maria Guadalupe foi assassinada barbaramente durante a guerra civil espanhola em Silla, na Província de Valência, aos 2 de outubro de 1936.

Nascida em Albal, a nove quilômetros de Valência, em 23 de fevereiro de 1881, aos quinze anos de idade entrou no mosteiro Pie de la Cruz de Mislata (Valência), das monjas de clausura Servas de Maria, e recebeu o nome de Maria Guadalupe.

Como monja professa, chegou a ocupar o cargo de priora do mosteiro. Sua prisão não ocorreu no mosteiro, mas na casa de sua irmã Filomena, aonde se havia refugiado no momento mais crítico da guerra civil espanhola. Levada à força da casa na noite de 2 de outubro de 1936, foi barbaramente assassinada duas horas depois na localidade de Sairo, na extrema entre Picasent e Silla, ao longo da estrada provincial que leva a Madri.

Sobre essa Bem-aventurada, destacamos a breve biografia atualizada escrita por frei Tito M. Sartori, OSM, intitulada: L’amore insanguinato. Il martirio di sr. Maria Guadalupe Ricart Olmos del II Ordine dei Servi di Maria (23/02/1881- 2/10/1936). Postulazione generale, Roma 1999, 73 p.

 


Bem-aventurado João Ãngelo De Milão

25 de outubro

 João Ângelo nasceu no ducado de Milão em 1451. Ingressando na Ordem dos Servos, viveu primeiro no convento milanês de Santa Maria e depois em Florença.

Atraído pelo ideal da vida penitente e contemplativa, mudou-se para o convento de Monte Senário, onde permaneceu quase vinte anos.

Depois, voltou para Milão e dedicou-se á educação crista das crianças. Morreu aos 23 outubro de 1505. foi proclamado bem-aventurado por Clemente XII em 1737.

 

Modelo de vida voltada para a contemplação e para a busca de Deus

João Ângelo nasceu em 1451 no ducado de Milão, filho de Protasio Porro e de Francisquinha de Guanzate, casal de vida crista exemplar. A família era natural de Barlassina, perto de Seveso.

Em 1468,' recebeu o habito dos Servos de Maria. Passou cinco anos no convento milanês de Santa Maria. Depois, segundo alguns historiadores da Ordem, retirou-se para um lugar solitário nas imediações de Cavacurta, à margem direita do rio Adda, dedicando-se à vida contemplativa e penitente.

Em 1474, mudou-se para o convento da Santíssima Anunciada, em Florença, onde deu grande exemplo de observância regular. Foi talvez então que fez seus estudos e foi ordenado presbítero. Apesar disso, no seu intimo, João Ângelo sempre desejou viver corno eremita. Por isso, em meados de 1477, mudou-se para o eremitério de Monte Senario, que fora restaura do no início do século XV por um grupo de frades fervorosos e amantes da vida eremitica.

A permanência em Monte Senario foi urna etapa importante do seu caminho e progresso espiritual. Foi ai que recebeu o nome de "João do Monte". Era sempre com alegria que ele voltava para Monte Senario, toda vez que, por motivo de saúde ou por ordem dos superiores, devia passar algum tempo na cidade. Em 1484, foi convocado pelo prior do convento de Florença, frei Antonio Alabanti, para ser mestre dos noviços. Para eles teria escrito algumas "instruções" .

Três anos depois, frei Antonio Alabanti, então prior geral, com o consentimento dos eremitas, nomeou-o reitor do eremitério de Monte Senario. Exerceu este cargo com competência e sabedoria. Por suas capacidades e espírito religioso, era muito estimado por frei Antonio Alabanti, que varias vezes recorreu a ele para dirigir o eremitério de Santa Maria das Graças de Chianti.

Depois da morte de Antonio Alabanti, por volta de 1495, João Ângelo voltou para Milão, onde teria sido eleito prior. Apesar da vida agitada da cidade, ele soube encontrar espaço para o estilo de vida eremitica que tanto amava. De fato, corno nos relata seu bi6grafo frei Filipe Ferrari, "ele morava numa cela... afastada um pouco dos outros" (Catalogus generalis sanctorum...) Venetiis 1625, p. 417). Remonta a esse período outro aspecto importante do seu apostolado: a educação crista das crianças. Hipólito Porro escreve: "Nos dias festivos, embora sendo prior, punha-se na porta da igreja ou ia pelas ruas a recolher as crianças. Levava-as à escola e ensinava-lhes a dottrina crista" (cf. Origine et successi della dottrina cristiana in Milano..., in Monumenta O.S.M., VIII, p. 138). Isso é comprovado também por um baixo-relevo da metade do século XVI, que representa o Bem-aventurado João Ângelo, na igreja, ensinando catecismo às crianças.

Morreu santamente em 23 de outubro de 1505 no convento de Milão, pranteado pelos confrades e pelos fiéis. O Bem-aventurado João Ângelo é protótipo e modelo da vida contemplativa e da busca de Deus que, em todos os tempos, teve seguidores na Ordem. Ele amava a oração e o silencio. Procurava viver intimamente unido a Deus, em dialogo exclusivo com de. Por isso, buscava a solidão e evitava as companhias frívolas. Muitas vezes, porém, o amor aos irmãos obrigava-o a agir diversamente. Amava a Ordem e todas as comunidades, com as quais foi sempre muito atencioso. Embora fisicamente frágil, mortificava o corpo com as mais variadas formas de renuncias. Tinha em grande apreço a pobreza e a simplicidade de vida. Alimentava uma filial devoçao à Mãe de Deus e, em sua honra, compôs uma oração, que costumava rezar todos os dias diante de sua imagem.

Em 173 7 foi beatificado por Clemente XII. Seu corpo, quase incorrupto, repousa na igreja de São Carlos, em Milão. É uma pie dosa e antiga tradição levar as crianças doentes diante do seu tumulo e recomendá-las à sua intercessão.

Oração

Senhor, interceda por nós o Bem-aventurado João Ângelo, que se tornou admirável na prática de uma autentica vida monástica e no ensinamento da vossa doutrina, a fim de que, sempre mais unidos a vós, sejamos perseverantes na vida evangélica e no fervor apostólico. Por nosso Senhor.



Bem-aventurado Jerônimo de Sant’Angelo in Vado

10 de dezembro

 

Jerônimo nasceu no início do século XV, em Sant’Angelo in Vado, na região das Marcas, Itália.

Ainda adolescente, ingressou no convento dos Servos de Maria de sua cidade natal e recebeu o hábito da Ordem.

Por motivos de estudo, esteve algum tempo fora do seu convento de origem, mas, apenas ordenado presbítero, para lá voltou. Distinguiu-se pelo amor ao silencio, á solidão, á vida contemplativa, e pelos dons do conselho e da prudência. Morreu por volta de 1468. Pio VI aprovou seu culto em 1775.

 

Oração

Senhor, interceda por nós o Bem-aventurado Jerônimo, que vós ornastes com os dons do Espírito Santo, a fim de que, repletos da sabedoria de Cristo, possamos agir em tudo com maturidade e prudência. Por nosso Senhor.

 

Jerônimo nasceu no início do século XV, em Sant Angelo in Vado, pequena cidade da região das Marcas, na Itália. Sues pais, profundamente cristãos, educara-o no temor de Deus. Era ainda adolescente quando recebeu o hábito da Ordem dos Servos de Maria, no convento da sua cidade natal, donde saiu só para estudar. Formou-se bacharel em filosofia e em teologia. Ordenado presbítero, voltou para o seu convento de origem, onde abraçou um estilo de vida muito austero, marcado pela penitência e pela contemplação. Sabia alternar momentos de silencio e di solidão com momentos de acaso, realizando com alegria as atividades comuns e praticando obras de caridade.

Foi vigário da Província romana. Por volta de 1450, reconstruiu desde os alicerces o nosso mosteiro de Santa Maria das Graças, onde viveu a Bem-aventurada Vitória, sua conterrânea. Era sensível às necessidades do povo e distinguiu-se por seus sábios conselhos. Frederico, duque de Urbino, tinha-o em grande estima e recorria aos seus conselhos quando devia enfrentar questões importantes. Jerônimo, porém, preferia dedicar-se inteiramente ao Senhor. Por isso, evitava a vida da corte e recusava qualquer tipo de honorificencia.

Morreu por volta de 1468. Logo, uma grande multidão acorreu ao túmulo para invocar sua intercessão. Pouco tempo depois, espalhando-se a fama de seus milagres, Jerônimo foi aclamado santo pela voz d povo. Seu corpo conserva-se incorrupto sob o altar-mor da igreja de Santa Maria dos Servos, em Sant’Angelo in Vado, onde ainda hoje è venerado. Pio VI confirmou seu culto em 1775.

 


Bem-aventurado Boaventura de Pistóia

15 de dezembro

Boaventura nasceu em Pistóia, na Itália, por volta de 1250. Atraído á santidade pelas palavras e exemplos de São Filipe Benizi, ingressou na Ordem dos Servos de Maria e foi ordenado presbítero.

Foi prior em vários conventos, revelando-se sempre muito prudente e humano. Quando era prior em Montepulciano, presidiu á profissão dos votos de Santa Inês, natural dessa cidade, e ajudou-a a fundar o mosteiro. Morreu em Orvieto em 1315.

Seu corpo repousa na nossa igreja da Santíssima Anunciada, em Pistóia. Pio VII aprovou seu culto em 1822.

Falava e praticava o que era agradável a Deus e útil aos homens.

Bonaventura nasceu em Pistoia, na região italiana da Toscana, em meados do século XIII. Seu ingresso na Ordem dos Servos de Maria deu-se da seguinte maneira: celebrava-se em Pist6ia, em 1276, o Capitulo da Ordem. O então prior geral, São Filipe, diante das lutas e inimizades que dilaceravam a cidade, exortou publicamente os cidadãos a se reconciliarem com Deus e entre si. Movidos por suas palavras "muitos reconciliaram-se com o Senhor e, doando tudo aos pobres, abandonaram a família, tomaram São Filipe coma pai e, sob sua orientação, decidiram servir à Virgem Maria, assumindo uma vida pobre. Dentre esses, um dos chefes da facção dos Gibelinos, ao ouvir o discurso de São Filipe, achegou-se-lhe e pediu para ser admitido na Ordem e começar, com a ajuda de Deus, uma vida penitente. São Filipe atendeu o pedido de se homem, que sempre vivera no meio da violência, e ordenou-lhe que pedisse perdão aos inimigos e devolvesse quatro vezes mais aos que havia defraudado. Boaventura, para grande admiração de todos, cumpriu escrupulosamente o mandamento evangélico e ingressou na Ordem". A seu pedido, recebeu de São Filipe o nome de Boaventura (M. POCCIANTI, Chronicon rerum totius sacri Ordinis Servorum beatae Mariae Virginis, 1567, p. 58-61).

São Filipe ligou-se a ele por profunda amizade. Em 1285, pouco antes de morrer, quando viajou para Roma, a fim de tratar com o papa Honório IV algumas questões referentes à sobrevivência e à aprovação da Ordem, foi justamente de frei Boaventura que Filipe recebeu boa parte do dinheiro necessário para as despesas de viagem e de estadia na cúria romana.

Depois disso, Boaventura, que sempre havia dado provas de competência e prudência, foi prior dos conventos de Bolonha e de Pistoia, e, por alguns anos, governou a Província Romana. Digno de registro o período em que foi prior no convento de Montepulciano. Al, homens e mulheres acorriam, em grande numero, para escutar as suas homilias, e muitos acabaram entrando na Ordem, recebendo o habito de suas mãos.

Em 1306, por ordem de Bildebrandino, bispo de Arezzo, abençoou a primeira pedra da igreja dedicada a Santa Maria das Graças, cuja construção fora encomendada por Santa Inês de Montepulciano. Dirigiu a construção do mosteiro, fez a entrega do véu a Santa Inês e a outras seis irmãs e recebeu a sua profissão dos votos, segundo a Regra de Santo Agostinho. Confirmou Inês no cargo de abadessa e ajudou-a, com seus conselhos, na direção do mosteiro. Morreu em Orvieto por volta de 1315. Logo espalho use a fama dos milagres atribuídos à sua intercessão. Em 1822 Pio VII confirmou seu culto.

No ano de 1915, no sexto centenário de sua morte, o corpo do Bem-aventurado Boaventura foi transladado para Pistoia, onde ora repousa na igreja dos Servos de Maria.

Oração

Deus todo-poderoso, infundi em vossos servos o espírito de prudência, que distinguiu admiravelmente o Bem-aventurado Boaventura na orientação dos seus irmãos e irmãs a vós consagrados. Por nosso Senhor.